| Trabalhadores da Rohde vão de férias com incógnita sobre o emprego |
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| Escrito por José Carlos Agostinho |
| Sábado, 15 Agosto 2009 10:14 |
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Na fábrica de calçado Rohde, na Feira, 984 trabalhadores vão hoje para férias sem saberem se terão emprego no regresso, a 7 de Setembro, mas na pausa do almoço há quem compre biquínis para "férias sem stresses". É o caso de uma operária do sector da costura, que, saindo dos portões da fábrica, atravessa a linha de ferro, mesmo ao lado, para apreciar o stock de uma comerciante que traz ao local uma carrinha cheia de artigos de pronto-a-vestir."Isto não está para compras, mas só gastei sete euros e meio no biquíni", diz a operária, que prefere ser identificada por Alexandra Lencastre. Trabalha há 17 anos na Rohde e diz: "Nota-se que as coisas estão mal e os chefes já puseram quem não têm serviço a fazer limpezas e arrumações na fábrica. Mas pode ser que isto dê a volta e, entretanto, quero ver se vou para férias sem stresses". Se, no regresso, as notícias forem más, sabe que arranjar emprego vai ser complicado. "Tenho um filho pequeno e não o queria tirar de cá", revela, "mas ir para França ter com o meu marido não está fora dos meus horizontes". Maria do Céu está na Rohde há 25 anos, trabalha nas embalagens e também az por manter-se tranquila até Setembro: "Ainda bem que não nos dão certeza nenhuma antes das férias, que assim ainda vamos descansados, sem pensar em tristezas". Cortar nos gastos não é uma opção nova: "Eu já não era de gastar muito em férias, portanto este ano não vou notar muita diferença. Vou pró meu campismo em S. Pedro de Moel, como sempre, e espero até ao fim para ver no que isto dá". Um aspecto que a tranquiliza é ter o marido bem empregado; outra é o facto de não esperar ilegalidades por parte dos patrões: "Aqui na Rohde, sempre foram cumpridores connosco e nunca nos ficaram a dever nada. Não temos razão de queixa". As duas colegas que a acompanham concordam, mas não querem prestar declarações. Segundo o delegado sindical da fábrica, Fernando Sousa, o mesmo acontece com os casais que ficarão em situação mais complicada se a Rohde realmente encerrar em Setembro. Manuel Coelho, que trabalha nas montagens há 18 anos consecutivos e antes disso já passara outra temporada na fábrica, diz que compreende esse recato: "Eu e a minha mulher trabalhamos os dois aqui, mas não temos dívidas nenhumas e até podemos aproveitar para nos reformarmos, mas esses casais, que ainda têm casa para pagar,... Não sei o que vai ser da vida deles!". Manuel Coelho diz que nas férias quer "descansar a cabeça, sem pensar no futuro da fábrica", mas considera que a empresa "merecia" encontrar um comprador, porque, "se a Rohde da Feira está com problemas, não é por trabalhar mal; a culpa é do que se passa na empresa-mãe, na Alemanha". A viabilidade da Rohde passa, na sua perspectiva, por actualizar a produção: "Desde que ando aqui, eles só modificaram um modelo de sapato. É sempre, sempre, sempre a mesma coisa". "Não é preciso ser muito inteligente para ver que isto satura o mercado", afirma o operário. "Se eles modernizassem um bocado o estilo do que se faz aqui, era natural que as vendas aumentassem". A administração da Rohde comunicou aos seus trabalhadores que só tem encomendas até 14 de Agosto. Os salários estão assegurados até ao final do mês e as encomendas que surgirem entretanto irão determinar se, em Setembro, a empresa mantém os postos de trabalho. Uma operária do sector das costuras questiona essa abordagem: "Se em Agosto está tudo fechado, como é que vão aparecer encomendas? Eles ainda não nos disseram nada em concreto, mas, se formos a ver, já nos deram as pistas todas". A Rohde é hoje a maior empregadora do país na indústria do calçado. Está a ser administrada por um gestor judicial alemão, nomeado por altura da falência da empresa-mãe, em Março de 2007, e por três procuradores em Portugal.
Por Lusa |
| Actualizado em Sábado, 15 Agosto 2009 10:15 |


