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St.ª Maria da Feira: Maior fábrica de calçado do país em lay-off de dois meses PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por José Carlos Agostinho   
Quarta, 09 Setembro 2009 23:24
Uma pequena esperança. É apenas isto que dá força aos 984 trabalhadores da Rohde de Santa Maria da Feira, a maior fábrica de calçado do País e que ontem entrou num lay-off de dois meses. À saída da fábrica, o olhar desolado dos trabalhadores deixava antever a angústia que traziam no peito. Para pelo menos metade, ontem pode mesmo ter sido o último dia de trabalho. A incerteza do futuro paira no ar, ninguém sabe se quando voltar ainda terá emprego.

“Já estávamos à espera disto, vamos embora com o coração nas mãos. Não sabemos o que vai acontecer nem se quando voltarmos o nosso posto de trabalho vai estar aqui, o mais certo é que isto feche de vez”, disse ao Correio da Manhã Maria dos Anjos, que trabalha na fábrica há mais de duas décadas.

A promessa de apenas dois meses de lay-off faz, no entanto, com que os trabalhadores não percam a esperança. Durante esse período a empresa irá avançar com um pedido de insolvência, para encontrar um plano de recuperação para a fábrica.

Ontem, as secções do corte, linha de entrada e costura foram paradas, e durante as próximas semanas todas as áreas serão afectadas. A pouco e pouco todos os trabalhadores acabarão por vir embora.

Dentro da fábrica, já pouco há para fazer. As encomendas pararam e as máquinas já estão arrumadas a um canto.

“Passamos o dia a conversar uns com os outros. Já não temos nada para fazer”, diz Maria dos Anjos.

Para muitas famílias o período de lay-off será muito difícil. Durante os próximos dois meses os trabalhadores irão receber apenas 65% do ordenado, o que representa um grave problema.
“Tenho dois filhos pequenos e um empréstimo para pagar. Vai ser muito complicado. O dinheiro que eu recebia estava já destinado para pagar as contas da casa. Vamos ter d apertar o cinto”, explicou ao CM Beatriz, que trabalha há cerca de 15 anos na Rohde.

Mas a grande preocupação dos funcionários é sem dúvida a idade. Muitos são os que temem ir para o desemprego, pois acreditam que  será muito difícil encontrar um novo emprego.

“Tenho quase 50 anos. Com esta idade é muito difícil arranjar outro trabalho. Se não há emprego para os novos, o que fará para mim”, diz Ester Barros, técnica na empresa.

Ana Isabel Fonseca/ D.R.

in Correio da Mânha

 



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