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Uma década perdida para o emprego na América PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por José Carlos Agostinho   
Terça, 13 Outubro 2009 21:19

O volume de emprego no final deste ano será inferior ao que havia há dez anos atrás. O défice de emprego gerado por esta recessão de dois anos nos Estados Unidos só em 2017 (ou mais tarde) estará anulado

Em termos de emprego, a década de 2000 a 2009 vai ser um fiasco na América. Em Dezembro de 2009 estima-se que haverá menos 1,3 a 1,8 milhões de empregos do que em Dezembro de 1999!

"Algo que nunca ocorrera nos Estados Unidos, exceptuando o período da Grande Depressão dos anos 1930", sublinha-nos Joseph J. Seneca, professor na The Edward J. Bloustein School of Planning and Public Policy, pertencente à Universidade de Rutgers, em New Jersey, co-autor de um estudo intitulado 'America's Post-Recession Employment Arithmetic', acabado de divulgar.

A primeira constatação dramática é que o emprego líquido criado entre 2001 e 2007, mais de 6 milhões de novos empregos no sector privado, foi 'engolido' literalmente por dois anos de crise que já destruíram em termos líquidos mais de 7,5 milhões de empregos entre Dezembro de 2007 (início da recessão) e Agosto passado. Ou seja, a destruição de emprego em 20 meses foi superior à criação de emprego durante a fase de crescimento anterior de quase sete anos.

Défice de emprego gigante

Mas o mais dramático não se fica por aqui. "O problema mais grave", refere Seneca, é a herança de um défice gigante de emprego logo em Janeiro de 2010, que poderá rondar os 9,5 milhões. A aritmética que o estudo desenvolveu antevê que só em 2017, no melhor dos cenários pessimistas, a América retornará "às condições do mercado de trabalho anterior ao início da recessão em 2007". Ou seja, a recuperação do défice levará sete anos!

No pior dos cenários, isto é se o crescimento de emprego for similar ao que ocorreu entre 2001 e 2007 (criação, apenas, de 1 milhão de novos postos de trabalho por ano no sector privado, tendo em conta um crescimento do PIB inferior a 2%), e não ao que ocorreu entre 1991-2001 e 1982-1990 (mais de 2 milhões por ano, com um crescimento do PIB superior a 3%), só lá para 2025, os americanos suspirarão de alívio.

Contudo, este cenário dramático poderá ser "desdramatizado", sublinha-nos o autor do estudo, com o aumento do número de desempregados "desencorajados" que sairão do circuito de procura de emprego formal (em Agosto deste ano eram mais de 750 mil), com a decisão de mais jovens permanecerem no sistema de ensino formal até mais tarde e com a diminuição da imigração para os EUA. Também, as políticas públicas dirigidas à criação de emprego, à Investigação & Desenvolvimento e ao apoio às PME no quadro dos sectores tecnológicos mais promissores (como Internet, tecnologias 'limpas', nanotecnologia, biotecnologia, etc.) poderão "moderar" o cenário pessimista, admite Seneca.

O fim de uma bóia de salvação

Os padrões da geração de desemprego durante esta recessão de 2007-2009 trazem, contudo, uma novidade, adverte Joseph Seneca: "Mais de 50% dos empregos perdidos foram no sector dos serviços. Isto é dramaticamente diferente do que ocorreu em recessões anteriores, onde o desemprego em massa atingia sobretudo a indústria e a construção.

Ora esse sector dos serviços norte-americano está sujeito a uma concorrência internacional muito forte, o que levanta a interrogação se será capaz de se reanimar com força". Nas duas recessões imediatamente anteriores, o peso do sector dos serviços na destruição de emprego fora, apenas, de pouco mais de 17%. Há aqui uma "alteração estrutural", diz o autor. O sector dos serviços deixou de ser a bóia se salvação.

Outro problema que se tem vindo a agravar é o do tempo decorrido entre o final da recessão e a retoma na criação de empregos, que passou de uma média de 2-3 meses, nos ciclos recessivos anteriores entre 1949 e 1990, para 11 meses e depois 20-21 meses (mais de ano e meio) respectivamente nas recessões de 1991 e 2001.

In Exame Expresso

 



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