Com o mundo sob a ameaça de recessão, Obama faz discurso decisivo sobre emprego
O discurso já estava a ser apontado como um dos mais decisivos para as eleições presidenciais dos EUA no próximo ano, mas os indicadores do emprego publicados na passada sexta-feira colocaram ainda maior pressão sobre Barack Obama para que apresente um plano credível para dinamizar um mercado de trabalho que dá cada vez mais sinais de estar em crise.
O Presidente dos Estados Unidos marcou para a próxima quinta-feira uma declaração ao país sobre emprego. O momento não poderia ser mais adequado. A economia está em clara desaceleração, com vários economistas a referirem-se já ao risco de reentrada em recessão, e os últimos dados do emprego foram muito desanimadores: pela primeira vez no último ano, não se registou em Agosto qualquer criação de emprego nos EUA.
Por isso, Obama deverá apresentar medidas de estímulo à economia e à criação de emprego que tentem contrariar a actual tendência. Embora a única coisa que seja certa em relação ao discurso é que será decisivo para os empregos de muitos norte-americanos e, particularmente, do próprio Presidente a partir de 2012, nos meios de comunicação social norte-americanos fala-se de um pacote de medidas que inclui novas isenções fiscais e projectos de investimento público, para apoiar o sector da construção.
No entanto, a Casa Branca, devido à actual situação orçamental e à dificuldade de fazer passar no Congresso dominado pelos republicanos qualquer medida que implique um aumento da despesa, não tem grande espaço de manobra para uma política de estímulo à economia.
Ontem, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, defendeu precisamente que se pode estar a chegar a uma altura em que é preciso que, tanto nos EUA como na Europa, os governos comecem a refrear os seus esforços de contenção orçamental, adoptando, caso seja possível, medidas de estímulo para a economia. Isto porque, disse Lagarde, a economia mundial pode estar na "iminência" de entrar em recessão.
"Ainda podemos evitar esta situação. As opções e as medidas para os governos e os bancos centrais são presentemente menores do que eram em 2009, mas se os diferentes bancos centrais, governos e as organizações internacionais trabalharem em cooperação, poderemos evitar uma recessão", salientou numa entrevista à revista alemã Der Spiegel.
In Público
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